O empreendedor abre a clínica pela intuição. Mas chega o dia em que ele não consegue mais estar em todos os lugares. É nesse momento que a gestão estratégica em saúde deixa de ser teoria e se torna uma condição para a sustentabilidade do negócio.
Por Gustavo Neves
Empreendedorismo não se aprende em escola
Longe das definições técnicas e do significado acadêmico da palavra, para mim, empreendedorismo é um dom que não se aprende em escola. Costumo fazer uma analogia em minhas palestras que vale repetir aqui: assim como não se fazem Neymares em escolinhas de futebol, o empreendedor já nasce pronto. A escola e a orientação técnica podem aperfeiçoar sua performance, mas não criá-la.
Uma coisa que me fascina na minha profissão é conhecer os empreendedores. Tenho clientes com a mais primária formação acadêmica à frente de operações que faturam centenas de milhões por ano, empregam mais de mil pessoas e existem há mais de trinta anos.
Na saúde, encontro o equivalente com frequência: o médico que abriu um consultório pequeno e hoje conduz uma clínica com dezenas de colaboradores, várias especialidades e uma agenda que não para.
O talento que sustenta e o risco que ele esconde
Isso tem um lado bom e outro preocupante. É excepcional perceber o que o ser humano é capaz de construir. Por outro lado, é arriscado ver clínicas e empresas familiares cujo sucesso da gestão e dos negócios depende exclusivamente da capacidade empreendedora do sócio fundador.
Esse sócio muitas vezes já deveria estar pensando em reduzir sua carga de trabalho e desfrutar de tudo o que construiu, mas não consegue deixar o posto.
Na saúde, o cenário é ainda mais delicado porque o fundador costuma acumular duas funções que competem entre si: atender pacientes e administrar o negócio. Quando o dia aperta, geralmente é a gestão que fica para depois.
Um CNPJ não pode depender tanto de um CPF.
As empresas precisam buscar gestão. Gestão é método. E é justamente por esse caminho que passa a profissionalização de qualquer organização de saúde que pretenda crescer sem depender de uma única pessoa.
Por que gestão é método?
É como se um empreendedor fosse um grande cozinheiro. Basta colocar os ingredientes à sua frente, dizer quantas pessoas irão comer e a que horas ele deve servir o prato. Certamente ele fará um delicioso banquete com os recursos disponíveis.
Se faltar um tempero ou um ingrediente, ele compensa com outro. Se precisar fazer o prato render mais, ele encontra uma solução.
Mas, quando a operação precisa ser repetida sem que ele esteja presente o tempo todo, a única forma de garantir que o prato fique próximo daquele que ele faria é ter uma receita.
Aquilo que ele guarda na cabeça e executa quase por instinto precisa ser descrito para que outra pessoa consiga seguir. A receita nada mais é do que um método.
Da intuição ao processo: o exemplo da contratação
Nas clínicas acontece exatamente a mesma coisa. O empreendedor que tinha tudo na cabeça e contratava uma recepcionista de forma assertiva após uma conversa de trinta minutos chega a um ponto em que não consegue mais participar de cada processo seletivo.
O que pode substituir esse faro? Um processo de contratação bem definido.
E isso vale para toda a operação:
- A forma como a agenda é organizada;
- O que a equipe pergunta ao paciente no primeiro contato;
- O modo como um atendimento é encerrado;
- A cobrança de um convênio;
- O acompanhamento dos indicadores;
- A análise que mostra se o mês foi realmente positivo ou apenas movimentado.
Quando a clínica cresce, o método se torna gestão
Quando a organização cresce a ponto de o empreendedor não conseguir mais estar presente em todas as decisões, ela precisa de metodologia.
Aqui vale uma distinção que costumo fazer com os empresários que acompanho: estratégia é escolher o caminho; gestão é garantir que a organização caminhe por ele mesmo quando o fundador não está na sala.
Um plano estratégico bem construído define para onde a clínica vai. Um modelo de gestão por resultados define como ela chegará lá, com objetivos claros, indicadores que mostram o percurso, responsáveis definidos e ritos de acompanhamento que transformam intenção em execução.
Sem isso, o crescimento se transforma em sobrecarga e o fundador se torna refém do próprio sucesso.
Metodologia é gestão. E gestão é o que faz o CNPJ não depender do CPF.
Formação em Gestão e Empreendedorismo em Saúde
A Academia de Gestão em Saúde reúne oito disciplinas de gestão aplicadas à realidade de clínicas, consultórios e organizações de saúde:
- Estratégia;
- Finanças;
- Operações e processos;
- Pessoas e cultura;
- Comercial e vendas;
- Etiqueta digital e reputação;
- Marketing e posicionamento;
- Transformação digital.
Uma formação 100% online, criada para profissionais da saúde que desejam administrar seus negócios com mais clareza, controle e visão de crescimento.
Conheça a Formação em Gestão e Empreendedorismo em Saúde
Sobre o autor
Gustavo Neves é economista pela PUC Minas, pós-graduado em Marketing pela FGV e formado no Programa de Desenvolvimento de Conselheiros da Fundação Dom Cabral. Atua desde 1998 como consultor empresarial, é professor associado da Fundação Dom Cabral e proprietário e executivo de clínica há mais de sete anos.
EMPREENDEDORISMO E GESTÃO
Um CNPJ não pode depender tanto de um CPF
O empreendedor abre a clínica pela intuição. Mas chega o dia em que ele não consegue mais estar em todos os lugares. É nesse momento que a gestão estratégica em saúde deixa de ser teoria e se torna uma condição para a sustentabilidade do negócio.
Por Gustavo Neves
Empreendedorismo não se aprende em escola
Longe das definições técnicas e do significado acadêmico da palavra, para mim, empreendedorismo é um dom que não se aprende em escola. Costumo fazer uma analogia em minhas palestras que vale repetir aqui: assim como não se fazem Neymares em escolinhas de futebol, o empreendedor já nasce pronto. A escola e a orientação técnica podem aperfeiçoar sua performance, mas não criá-la.
Uma coisa que me fascina na minha profissão é conhecer os empreendedores. Tenho clientes com a mais primária formação acadêmica à frente de operações que faturam centenas de milhões por ano, empregam mais de mil pessoas e existem há mais de trinta anos.
Na saúde, encontro o equivalente com frequência: o médico que abriu um consultório pequeno e hoje conduz uma clínica com dezenas de colaboradores, várias especialidades e uma agenda que não para.
O talento que sustenta e o risco que ele esconde
Isso tem um lado bom e outro preocupante. É excepcional perceber o que o ser humano é capaz de construir. Por outro lado, é arriscado ver clínicas e empresas familiares cujo sucesso da gestão e dos negócios depende exclusivamente da capacidade empreendedora do sócio fundador.
Esse sócio muitas vezes já deveria estar pensando em reduzir sua carga de trabalho e desfrutar de tudo o que construiu, mas não consegue deixar o posto.
Na saúde, o cenário é ainda mais delicado porque o fundador costuma acumular duas funções que competem entre si: atender pacientes e administrar o negócio. Quando o dia aperta, geralmente é a gestão que fica para depois.
Um CNPJ não pode depender tanto de um CPF.
As empresas precisam buscar gestão. Gestão é método. E é justamente por esse caminho que passa a profissionalização de qualquer organização de saúde que pretenda crescer sem depender de uma única pessoa.
Por que gestão é método?
É como se um empreendedor fosse um grande cozinheiro. Basta colocar os ingredientes à sua frente, dizer quantas pessoas irão comer e a que horas ele deve servir o prato. Certamente ele fará um delicioso banquete com os recursos disponíveis.
Se faltar um tempero ou um ingrediente, ele compensa com outro. Se precisar fazer o prato render mais, ele encontra uma solução.
Mas, quando a operação precisa ser repetida sem que ele esteja presente o tempo todo, a única forma de garantir que o prato fique próximo daquele que ele faria é ter uma receita.
Aquilo que ele guarda na cabeça e executa quase por instinto precisa ser descrito para que outra pessoa consiga seguir. A receita nada mais é do que um método.
Da intuição ao processo: o exemplo da contratação
Nas clínicas acontece exatamente a mesma coisa. O empreendedor que tinha tudo na cabeça e contratava uma recepcionista de forma assertiva após uma conversa de trinta minutos chega a um ponto em que não consegue mais participar de cada processo seletivo.
O que pode substituir esse faro? Um processo de contratação bem definido.
E isso vale para toda a operação:
- A forma como a agenda é organizada;
- O que a equipe pergunta ao paciente no primeiro contato;
- O modo como um atendimento é encerrado;
- A cobrança de um convênio;
- O acompanhamento dos indicadores;
- A análise que mostra se o mês foi realmente positivo ou apenas movimentado.
Quando a clínica cresce, o método se torna gestão
Quando a organização cresce a ponto de o empreendedor não conseguir mais estar presente em todas as decisões, ela precisa de metodologia.
Aqui vale uma distinção que costumo fazer com os empresários que acompanho: estratégia é escolher o caminho; gestão é garantir que a organização caminhe por ele mesmo quando o fundador não está na sala.
Um plano estratégico bem construído define para onde a clínica vai. Um modelo de gestão por resultados define como ela chegará lá, com objetivos claros, indicadores que mostram o percurso, responsáveis definidos e ritos de acompanhamento que transformam intenção em execução.
Sem isso, o crescimento se transforma em sobrecarga e o fundador se torna refém do próprio sucesso.
Metodologia é gestão. E gestão é o que faz o CNPJ não depender do CPF.
Formação em Gestão e Empreendedorismo em Saúde
A Academia de Gestão em Saúde reúne oito disciplinas de gestão aplicadas à realidade de clínicas, consultórios e organizações de saúde:
- Estratégia;
- Finanças;
- Operações e processos;
- Pessoas e cultura;
- Comercial e vendas;
- Etiqueta digital e reputação;
- Marketing e posicionamento;
- Transformação digital.
Uma formação 100% online, criada para profissionais da saúde que desejam administrar seus negócios com mais clareza, controle e visão de crescimento.
Conheça a Formação em Gestão e Empreendedorismo em Saúde
Sobre o autor
Gustavo Neves é economista pela PUC Minas, pós-graduado em Marketing pela FGV e formado no Programa de Desenvolvimento de Conselheiros da Fundação Dom Cabral. Atua desde 1998 como consultor empresarial, é professor associado da Fundação Dom Cabral e proprietário e executivo de clínica há mais de sete anos.